Em um movimento que abalou o mundo dos jogos, Phil Spencer — o rosto por trás da renovação do Xbox nos últimos 12 anos — foi afastado de seu cargo em fevereiro de 2026, não por aposentadoria planejada, mas por decisão direta do CEO da Microsoft, Satya Nadella, e da CFO Amy Hood. Ainda que o comunicado oficial tenha chamado o afastamento de "transição natural", fontes internas e jornalísticas confirmam: foi um afastamento forçado. Enquanto Spencer deixava o cargo, Sarah Bond, presidente da Xbox, também foi removida. No lugar, foi promovida Asha Sharma, executiva com histórico em Inteligência Artificial, agora à frente da recém-criada divisão Microsoft Gaming. O caos foi total: equipes inteiras souberam da mudança não por e-mails internos, mas por manchetes. Um post no LinkedIn sobre acessibilidade, publicado horas antes da saída de Bond, permaneceu online por horas, como um sinal maluco de desordem interna.
Um legado que virou controversia
Phil Spencer entrou para a Microsoft em 1988. Em 2014, assumiu o Xbox após o fracasso do Xbox One — e transformou tudo. Sob sua liderança, o console voltou a ser respeitado. A retrocompatibilidade, o crossplay entre plataformas e o Xbox Play Anywhere não foram apenas recursos: foram gestos de respeito ao jogador. Mas o maior legado? O Xbox Game Pass. Lançado em 2017, o serviço revolucionou a forma como as pessoas acessam jogos, forçando a Sony, a Nintendo e até a Apple a repensar seus modelos. Durante anos, Spencer foi o herói dos gamers. Mas nos últimos dois anos, algo mudou.
Após a compra da Activision Blizzard por US$68,7 bilhões, em outubro de 2023, a estratégia da Microsoft mudou radicalmente. Sarah Bond, então promovida a presidente, liderou o slogan "This is an Xbox" — a ideia de que qualquer dispositivo era um Xbox. Celulares, tablets, até smart TVs. O foco nas consoles tradicionais foi desviado. A promessa de uma loja Xbox para Android e iOS, marcada para julho de 2024, nunca saiu do papel. E os jogadores de console sentiram: jogos exclusivos sumiram, lançamentos foram diluídos, e a identidade da marca foi borrada. A Microsoft queria crescer em nuvem e mobile — mas esqueceu quem a sustentou: os fãs de console.
Os números não mentem
A queda foi brutal. No segundo trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado em dezembro de 2025), a receita da divisão de jogos da Microsoft caiu 9%. A parte de hardware — consoles e acessórios — despencou 32%. É o terceiro ano consecutivo de declínio nesse setor. Enquanto o Game Pass ainda cresce (com mais de 35 milhões de assinantes), ele não consegue compensar a perda de vendas físicas. Analistas internos alertaram por meses: você não pode abandonar o núcleo para perseguir o futuro. A Microsoft ouviu — mas não da forma que os jogadores esperavam.
Asher Sharma: a nova era da IA no gaming
Asha Sharma, até então presidente da CoreAI da Microsoft, assume com um histórico impressionante: liderou equipes que desenvolveram modelos de IA para otimizar servidores, tradução em tempo real e até assistentes de suporte técnico. Mas gamers perguntam: o que isso significa para os jogos? Ela já respondeu: "Nós não vamos inundar nosso ecossistema com lixo de IA sem alma." Essa frase, dita em reunião interna, foi repetida como um mantra entre os desenvolvedores. Ela prometeu que a IA será usada para melhorar — não substituir. Para gerar diálogos mais naturais em RPGs, otimizar texturas em tempo real, ou até ajudar desenvolvedores a testar jogos automaticamente. Mas ninguém sabe ainda se ela manterá os títulos exclusivos, se fará lançamentos simultâneos com PlayStation, ou se o próximo Xbox será um console real — ou só um app em nuvem.
Caos, confusão e um futuro em branco
O dia em que o anúncio vazou foi caótico. Funcionários da Xbox receberam notificações do The Verge antes de um e-mail interno. Alguns acharam que era fake news. Outros, que a empresa estava desmoronando. A demissão de Sarah Bond foi anunciada sem cerimônia. Um único post em sua conta do LinkedIn — sobre acessibilidade — foi deixado online por horas, como se ninguém tivesse percebido que ela já não estava mais lá. Foi um símbolo: a Microsoft não se despediu. Apenas apagou.
Estudiosos lembram: isso não é o primeiro grande afastamento na história da Microsoft. Em 2013, Steve Ballmer demitiu o chefe do Xbox depois de um fracasso semelhante. Agora, Nadella faz o mesmo. O padrão é claro: quando a estratégia falha, o líder paga. Mas o que é pior: o que vem depois?
O que está em jogo
As perguntas que ficam são mais importantes que as respostas. Será que o próximo Xbox Series X2 será lançado? Ou será só um serviço em nuvem? Os jogos da Activision Blizzard — como Call of Duty — continuarão exclusivos por tempo limitado na PlayStation? Ou serão lançados em todos os lugares, de uma vez? E, mais importante: os jogadores que compraram um Xbox Series X por acreditar na visão de Spencer vão sentir que foram traídos?
Enquanto isso, Asha Sharma tem apenas 18 meses para provar que a IA pode ser o futuro — sem matar a alma do gaming. Se falhar, a Microsoft pode perder não apenas mercado, mas lealdade.
Frequently Asked Questions
Por que Phil Spencer foi afastado se ele salvou o Xbox?
Spencer foi responsável por resgatar a marca do Xbox One, mas sua estratégia posterior — especialmente a transição para "Xbox Everywhere" — desviou o foco dos jogadores de console. Com receitas de hardware caindo há três anos e pressão da alta gestão para crescer em nuvem e mobile, sua abordagem foi vista como obsoleta. A Microsoft queria um líder mais alinhado à sua visão de IA e multiplataforma, não à nostalgia dos jogadores.
O que aconteceu com a loja Xbox para celulares?
Lançada originalmente para julho de 2024, a loja móvel da Xbox foi cancelada sem explicação oficial. Fontes internas afirmam que o projeto foi abandonado por falhas técnicas e falta de apoio de equipes de Android e iOS. A promessa de "Xbox Everywhere" virou um símbolo de falsas promessas, e muitos jogadores sentem que a Microsoft priorizou o discurso sobre a execução.
Asha Sharma entende de jogos?
Ela não vem do setor de jogos — mas da Inteligência Artificial. Sua experiência está em otimização de sistemas, não em design de jogos. Por isso, muitos temem que ela priorize eficiência sobre criatividade. Porém, ela já afirmou que não usará IA para gerar conteúdos automatizados, e sim para ajudar desenvolvedores. Ainda assim, é a primeira vez que um executivo sem histórico em gaming lidera a Xbox — e isso assusta a comunidade.
O Xbox Series X2 será lançado?
Nenhuma confirmação oficial existe. Mas especialistas acreditam que, se a Microsoft quiser manter a lealdade dos jogadores de console, não pode deixar de lançar um novo hardware até 2027. Caso contrário, a divisão de jogos pode virar um serviço de streaming sem identidade — e perder o mercado de jogos hardcore. A decisão de Sharma será crucial.
Como a aquisição da Activision Blizzard influenciou essa mudança?
A compra da Activision foi o ponto de virada. Com títulos como Call of Duty e Diablo, a Microsoft passou a ver o Xbox como uma plataforma global, não apenas um console. Isso acelerou a ideia de "Xbox Everywhere" e gerou pressão para que jogos exclusivos fossem lançados em todas as plataformas — o que enfraqueceu a identidade da marca. Além disso, a integração foi mais lenta do que o esperado, gerando frustração interna.
O que isso significa para os jogadores brasileiros?
Para os brasileiros, a mudança pode significar menos exclusivos locais, mais foco em jogos globais e, potencialmente, menos suporte para hardware. Como o Brasil tem uma base forte de jogadores de console, qualquer desvio para nuvem pode afetar a acessibilidade — já que a internet ainda é cara e instável em muitas regiões. A decisão de Sharma sobre investimento em infraestrutura de nuvem aqui será decisiva.