STF dá 48h à Câmara para explicar viagem de Mário Frias ao exterior

postado por: Antonio José | em 27 maio 2026 STF dá 48h à Câmara para explicar viagem de Mário Frias ao exterior

Quando Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, assinou a decisão na última quarta-feira (20), o prazo era curto e a mensagem foi clara: a Câmara dos Deputados tinha apenas 48 horas para explicar onde estava o deputado federal Mário Frias, deputado federal por São Paulo do Partido Liberal (PL-SP). O parlamentar, alvo de uma investigação preliminar no STF sobre o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares, encontrava-se em missão oficial no exterior, especificamente em Bahrain e nos Estados Unidos.

A ordem judicial não é apenas burocrática; ela visa destravar um processo que está parado há mais de um mês. Um oficial de justiça da Corte Suprema tentou, sem sucesso, notificar Frias para prestar esclarecimentos sobre o envio de recursos públicos para uma organização não governamental ligada à produção do filme "Dark Horse". A impossibilidade de localizar o deputado levou Dino a solicitar detalhes precisos sobre a "situação funcional" do político e a duração de sua estadia no Oriente Médio e na América do Norte.

O Contexto da Investigação

O cerne da questão reside em uma petição apresentada pela deputada federal Tábata Amaral contra seu colega de partido. O documento questiona o suposto desvio de finalidade no uso de R$ 2 milhões em emendas parlamentares direcionadas pelo deputado para o Instituto Conhecer Brasil. Esta ONG está diretamente vinculada à produtora audiovisual Go Up Enterteinment, responsável pelas gravações da cinebiografia intitulada "Dark Horse", que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo relatos da Folha de Pernambuco e CNN Brasil, o ministro Dino quer entender como o dinheiro público foi aplicado em um projeto privado de natureza comercial ou promocional, ainda não lançado. A dificuldade de intimação persistiu porque, desde pelo menos a semana anterior, os esforços do judiciário foram frustrados pela ausência física do deputado no Brasil. Na quarta-feira (13), um telefonema ao gabinete de Frias revelou apenas que ele estava em "missão internacional" sem previsão de retorno imediato.

Detalhes da Viagem e Missão Oficial

As informações coletadas pela imprensa indicam um itinerário apertado e justificado como diplomático e econômico. Segundo nota da assessoria de imprensa da Câmara, confirmada por veículos como UOL e Globoplay, Mário Frias solicitou autorização para cumprir agenda em Bahrain entre 12 e 18 de maio, seguido por uma etapa em Dallas, Texas, de 19 a 22 de maio.

A justificativa oficial apresentada à Câmara afirma que não houve custos para o legislativo com a viagem. O convite para a parada em Bahrain teria vindo da Embaixada do país no Golfo Pérsico em Brasília, enquanto a etapa nos EUA foi realizada a convite do grupo "I Brasil e USA". No entanto, a dúvida que paira no STF não é sobre quem pagou a passagem, mas sim sobre a legitimidade e a transparência dessa ausência durante uma investigação ativa envolvendo fundos públicos.

A Defesa do Deputado

A Defesa do Deputado

Frente às acusações e à pressão judicial, Mário Frias buscou se comunicar diretamente com a opinião pública. Em entrevista ao SBT News, realizada "ontem" em relação à publicação das notícias, o deputado afirmou estar em Bahrain na semana anterior para "propor investimentos no Brasil" e atualmente nos Estados Unidos para "prospecção de um investimento em segurança pública".

Em tom pessoal, Frias tentou dissipar suspeitas de fuga, declarando: "Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas". Ele informou que pretendia retornar ao país nos próximos dias, momento em que poderia ser intimado formalmente. Essa narrativa de abertura econômica contrasta com a visão jurídica do STF, que vê na viagem um obstáculo processual significativo.

Impacto Político e Jurídico

Impacto Político e Jurídico

A situação expõe tensões latentes dentro do Partido Liberal e levanta questões sobre a imunidade parlamentar e os limites do uso de emendas. Se confirmado o desvio de finalidade, as consequências podem ir além da esfera administrativa, atingindo o plano criminal. A exigência de Dino pela Câmara serve também como um teste de cooperação institucional: o poder executivo e legislativo devem facilitar o trabalho do judiciário, mesmo quando envolvem figuras proeminentes.

Analistas políticos observam que este caso pode estabelecer um precedente importante sobre a rastreabilidade de emendas parlamentares usadas em projetos midiáticos. A conexão direta entre o deputado, produtor executivo do filme, e a ONG receptora dos recursos cria um laço de interesse difícil de dissociar sem explicações robustas. Enquanto o filme "Dark Horse" aguarda lançamento, o drama jurídico já tem seus próprios capítulos intensos.

Perguntas Frequentes

Por que o STF ordenou que a Câmara explicasse a viagem de Mário Frias?

O ministro Flávio Dino determinou isso porque um oficial de justiça tentou, sem sucesso, notificar o deputado há mais de um mês para prestar esclarecimentos sobre o uso de R$ 2 milhões em emendas parlamentares. A informação sobre a localização e duração da missão é crucial para que o processo possa avançar e o deputado seja devidamente intimado.

Qual é a acusação principal contra Mário Frias?

A acusação central envolve o suposto desvio de finalidade no envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, uma ONG ligada à produtora Go Up Enterteinment. Esta empresa é responsável pela produção do filme "Dark Horse", biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde Frias atua como produtor-executivo.

Quem pagou pelos custos da viagem do deputado ao exterior?

De acordo com a nota da Câmara dos Deputados citada pela imprensa, não houve custos para a Casa Legislativa. A viagem foi autorizada como missão oficial, com convites vindos da Embaixada de Bahrain em Brasília e do grupo I Brasil e USA para a etapa nos Estados Unidos.

Qual a posição de Mário Frias sobre as investigações?

Em entrevista, Frias negou qualquer irregularidade, afirmando que estava em missões para propor investimentos no Brasil e em segurança pública. Ele declarou ter passagens de volta, família no país e estar disposto a prestar todas as contas necessárias assim que retornar.

O que é o filme "Dark Horse" mencionado nas notícias?

"Dark Horse" é uma cinebiografia que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme, produzido pela Go Up Enterteinment, ainda não havia sido lançado no momento dos reportagens, mas já gerou controvérsias devido ao financiamento parcial através de emendas parlamentares enviadas por Mário Frias.